Flores Na Janela

Nas minhas últimas andanças pelo mundo, ao me deparar outra vez com uma imagem já familiar às minhas memórias, um inesperado e bonito insight me fez ver por outra perspectiva os questionamentos que, cientes da minha mais absoluta insignificância dentre os mais de 8 bilhões de habitantes da Terra, ficam pulando feito milho de pipoca dentro da minha inquieta mente: as infindáveis dúvidas que tenho sobre o valor de me dedicar à construção desse discreto site que chamo de “meu mundo”.

Quem já esteve na Europa sabe que um dos traços mais característicos das paisagens de suas diversas regiões são as flores colocadas nas janelas das casas daqueles que têm o privilégio de lá viver. De casa em casa, as flores saltam aos olhos de quem passa por elas e colorem ruas inteiras, bairros inteiros, cidades inteiras, países inteiros, tornando-se símbolos de um continente inteiro!


Nunca conversei com um morador local para saber o que o leva a colocar as flores nas janelas, mas ouso apostar que a resposta seria tão simples quanto “para enfeitar minha casa”.* Duvido muito que aqueles cidadãos, tão comuns e desconhecidos quanto eu, tenham como motivação primeira qualquer desejo além de embelezar seus próprios lares. Acredito, no entanto, que seus dias ficam ainda mais coloridos quando ficam sabendo que, de alguma forma, esse hábito tão particular contribuiu para confortar também os olhos e, sobretudo, os corações daqueles que passam por ali.

Desde então, foi assim que passei a ver as postagens publicadas neste universo virtual que construo para me refugiar da realidade ao meu redor: essas são as flores que coloco nas minhas janelas.

Não estou com isso dizendo que as percepções que aqui compartilho carreguem em si uma ínfima parte da beleza dos arranjos florais europeus. Sei que, em consequência da minha completa falta de “dons de jardinagem”, minhas “flores” estão às vezes desbotadas, ressecadas, murchas, despedaçadas ou até mesmo cheias de espinhos. Mas, mesmo imperfeitas, são absolutamente, talvez brutalmente, verdadeiras, e me dedicar ao cultivo delas é algo que faço por mim, na tentativa, ainda que com resultados duvidosos, de enfeitar o meu minúsculo e irrelevante pedacinho de mundo. Agora, se elas de alguma forma puderem contribuir para que um eventual transeunte não se sinta só, também os meus dias ficarão mais coloridos.

*Há, na verdade, outras explicações para a origem do hábito que acabou se tornando uma tradição cultural. Mas, como este não é um site sobre História, me dou ao direito de contar minhas histórias do jeito que melhor me convém. 😇



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