Abraços Em Forma De Música

Sabe aqueles dias em que, independentemente do quanto marca o termômetro, sua alma tem vontade de ouvir músicas que soem como um cobertor macio e quentinho te abraçando?

Há quase dois anos, foi assim que me senti quando uma “descoberta” a meu próprio respeito ressignificou toda a minha vida. Uma pessoa “normal” teria vibrado ao se saber parte de uma ingenuamente cobiçada minoria da população mundial. Parte da novidade, porém, consistia justamente na confirmação de que, de fato, não sou, nem nunca fui, “normal”.

A descoberta em questão foi um processo. Na verdade, ainda é, mas a tarde em que tornou-se impossível negar que eu sofria mesmo da tal condição – que, ao contrário do que muitos fantasiam, é antes de tudo um imenso e terrível sofrimento – foi particularmente dolorida! Sentimentos mistos tomaram conta de mim. De um lado, o alívio (até hoje ainda envolto em várias camadas de incredulidade) por encontrar explicações para perguntas nunca antes respondidas; do outro, uma tristeza e até mesmo uma revolta profundas por tantos desejos violentamente massacrados e por todo o tempo de existência perdido por acreditar que minhas verdadeiras paixões estavam fora do meu alcance. Descobrir, àquela altura da vida, que eu poderia, sim, ter trilhado qualquer caminho que desejasse era libertador, mas também desolador. Em bom português, uma baita sacanagem! Queria fazer o tempo voltar e recomeçar…

Na impossibilidade de fazer o tempo voltar, dei meu jeito de fazer com que ele ao menos parecesse parado. Como já contei anteriormente, a música sempre foi o meu refúgio, o meu lar, mas naquele momento minhas emoções já estavam tumultuadas demais para lidar com a intensidade das canções que costumo ouvir. Lembrei-me, então, que há meses eu vinha reunindo versões suaves de grandes sucessos internacionais em uma nas minhas centenas de playlists. Nem dava muita atenção àquela coletânea porque, na verdade, sou muito resistente a ouvir certas músicas em interpretações diferentes das originais. A possibilidade de unir familiaridade e leveza, no entanto, parecia-me ideal para a ocasião – e foi! Embora completamente engolfada pela impotência, passei o resto daquela tarde (algumas horas!) simplesmente sentada, ouvindo vozes que me envolviam como um cobertor macio e quentinho.

Revisitando essa playlist nos últimos dias, ela me pareceu uma ótima maneira de começar as postagens de 2026. Afinal, venha o que vier, é certo que haverá momentos em que desejaremos (e/ou precisaremos de) simplesmente um pouco de aconchego. No que me soou como um alinhamento dos planetas, ao pensar em um nome para batizá-la, me dei conta de que, em inglês, a palavra mais comumente usada para “versões” pode se referir também a quaisquer objetos que cubram superfícies, incluindo cobertores. Eis aqui, portanto, Cosy Covers, minha playlist mais aconchegante! 🥰🎶

COSY COVERS
[Uma playlist de Musings N’ Music]

Músicas que nos fazem sentir como se estivéssemos envolvidos por um cobertor macio e quentinho. Artistas: Eve St. Jones, Francis Greg, Jada Facer, Life In 3D, Music Travel Love e outros.

[Músicas em ordem alfabética, com exceção da última.]


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