Roberto Carlos em conSerto

Eu sou um caso perdido!

Por ocasião da data, hoje acordei com uma irresistível vontade de cutucar o que deve ser provavelmente a maior caixa de maribondos já construída por toda a vasta extensão dos territórios brasileiros… 😬

Antes que seja tarde demais,1 decidi compartilhar minha inocente homenagem ao “rei” mais duvidoso já nascido nesse imenso pedaço do planeta – e que hoje chega à notável marca dos 85 anos de vida.

Nunca consegui entender por que um sujeito cuja voz é absolutamente inexpressiva, para não dizer desagradável e, pior, sempre2 acompanhada por uma orquestração que só não perde para shows de churrascarias baratas de beira de estrada caiu nas graças dos habitantes deste país ao ponto de ser por aqui reverenciado como um “rei”. [Se bem que pensando em quem seriam os possíveis portadores de tal título hoje em dia, por mais inacreditável que pareça, meus ouvidos estariam em uma situação ainda muito pior. Na verdade, títulos à parte, já estão! Mas isso não vem ao caso agora.]

Num esforço hercúleo para me abstrair da sonoridade das canções “reais”, reconheço que pelo menos até o início dos anos 80 o mais icônico cantor brasileiro foi um compositor de fato talentoso. Da segunda metade daquela década em diante, principalmente ao entrar nos anos 90, começaria o que chamo de “fase mulheres em série” — baixinhas, gordinhas,3 madurinhas4 e sei-lá-mais-o-quê. Nem vale a pena procurar saber porque a partir dali não era mais eu o caso que estaria irreversivelmente perdido…

Talento de composição à parte, em sua própria voz até mesmo suas boas músicas — para não falar das que sequer são de sua autoria (O Calhambeque, Não Vou Ficar, Outra Vez, entre tantas outras), mas que ficaram popularmente conhecidas como sendo “dele” — me soam completamente sofríveis! O consolo é que, como em um reinado de conto de fadas, tem sempre um herói pronto para salvar os que estão em apuros (no caso, meus pobres ouvidos).

A playlist de hoje é a reunião de alguns desses heróis. Na verdade, é apenas o embrião de uma coletânea que pretendo desenvolver melhor um dia, mas temendo que “um outro dia” chegue antes, sem mais delongas compartilho aqui Roberto Carlos em conSerto — sim, é isso mesmo: “conSerto”, com “S”. Ou seja, versões de músicas compostas e/ou consagradas pelo “rei” em interpretações de artistas que souberam conSertar os estragos que ele mesmo fez em suas próprias criações e também em obras de outros compositores. [Cá entre nós, algumas dessas faixas talvez não sejam tão superiores assim às versões consagradas por ele, mas ficarão temporariamente aqui enquanto não encontro outras melhores.]

1 Acho homenagens póstumas uma das coisas mais estúpidas do mundo! Se alguém quiser me prestar alguma homenagem, por favor, o faça enquanto ainda estou presente em carne e osso para que eu possa apreciá-la.
2 Provavelmente por fazerem parte das minhas memórias afetivas (quem nesse país escapou de ter seus ouvidos invadidos, em maior ou menor proporção, pela trilha sonora real?), consigo até suportar algumas músicas em sua própria voz, mas se eu puder escolher…
3 Não me crucifiquem! Estou apenas usando exatamente a mesma palavra que está imortalizada em uma de suas composições. Reclamem com o “rei”! 👑
4 Okay, essa eu confesso que peguei emprestada de uma canção popularizada na década de 80 que afirmava que mulheres com mais de 30 – isso mesmo, trinta – anos já eram “maduras” (em bom português: velhas) demais para se namorar. 🤦🏻‍♀️


Roberto Carlos em conSerto
[Uma playlist de Musings N’ Music]

Canções compostas e/ou consagradas pelo “rei” mais duvidoso da música popular brasileira em versões de artistas que souberam conSertar os estragos que ele fez em suas próprias criações e também em obras de outros compositores.

[Músicas em ordem alfabética, com exceção das duas últimas.]




PS 1: sim, o Skank fez uma ótima versão para um dos maiores sucessos interpretados por “Sua Majestade”, mas eu eliminei do meu repertório auditivo toda e qualquer música que faça alguma referência, por mais metafórica que seja, ao que eu considero o mais maldito de todos os vícios.

PS 2: Infelizmente, duas das minhas versões preferidas não estão disponíveis no Spotify. Mas, mesmo não gostando de uma certa plataforma de vídeos, também ela tem lá seus canais que beiram o heroísmo. Seguem abaixo como “bônus”.


♪ DETALHES
Paulo Ricardo [Erasmo Carlos, Roberto Carlos]


♪ COMO É GRANDE O MEU AMOR POR VOCÊ
Oswaldo Montenegro [Roberto Carlos]


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